quarta-feira, 15 de junho de 2011

Amar é cuidar, cuidar é amar


Bem-receber (e ser bem recebido), principalmente após uma longa viagem é uma dádiva dos deuses. Imaginemos um viajante com bolhas nos pés vindo de uma caminhada de 10 dias no Vale do Paty: oferecem-lhe um banho quente e um colchão. Não há barras de ouro que substituam atitude mais preciosa, que jamais será esquecida.


Viagem é mudança. Acredito que quando nascemos, viemos de uma longa estrada, até chegarmos ao plano físico, por isso o que recém-nascido mais quer é um aconchego, um carinho e proteção. Quando nós, "adultos" não temos isso, temos que fazer por nós próprios. Mas quem não gosta de um carinho e um cuidado, que jogue a primeira pedra!


Na estrada (da vida ou no asfalto) ficamos mais vulneráveis, mas ao mesmo tempo uma sensação de descoberta e de estarmos nos transportando para outros cenários se apodera de nós. São frequências diferentes, a densidade do ar, das cores, dos sons e principalmente da energia que é bem diferente. Há que se saber fazer os ajustes necessários, minimizando os distúrbios, e isso a gente só aprende fazendo, tendo as experiências. Aterrissar num ponto de parada seguro e tranquilo é impagável: nele podemos ter alguns momentos para refazer as configurações, despixelar-nos e colocar as vestimáscaras ajustando-nos às frequências locais.


Depois da estrada: bastante água para purificar todas as células, fazendo "a limpeza", um pouco de música, boas risadas, silêncio, alongamentos pra fluir a energia no corpo novamente, respiração... um verdadeiro ritual de aterrissagem perfeito, faz total efeito!


Tudo é energia. E estamos o tempo todo numa dança energética em constante movimento: existem as trocas fluidas e as que, por algum bloqueio de alguma das partes torna-se dura, fragmentada. Há ambientes e pessoas em que nos deparamos que nos aconchegam, que organika e naturalmente nos cuidam e nos permitem cuidá-las também. Dar é importante, mas saber receber também!


A viagem segue, procurando sentir e perceber todos os pequenos sinais, o fluxo do vento quente, por exemplo: é ele que nos leva mais longe, em segurança e aconchego.


O gesto sutil vale mais que miríades de palavras.


Louise Prates

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